O Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu passou oficialmente a ter um novo controlador após a conclusão da venda da plataforma aeroportuária da Motiva para o grupo mexicano ASUR, Grupo Aeroportuario del Sureste.
A operação foi concluída na terça-feira, 1º de setembro, após o cumprimento das condições previstas no contrato firmado em novembro de 2025. A ASUR passou a controlar diretamente a Companhia de Participações em Concessões, a CPC, holding que reúne as participações nos aeroportos que até então pertenciam à Motiva.
Entre os ativos incluídos está o Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, além de outros terminais brasileiros como Curitiba, Confins e Pampulha.
No total, o negócio abrange 20 aeroportos, sendo 17 no Brasil e três no exterior, localizados em Curaçao, Equador e Costa Rica.
Valor de R$ 12,2 bilhões inclui dívida dos ativos
O valor total associado à operação chega a aproximadamente R$ 12,21 bilhões, mas esse montante não corresponde integralmente a dinheiro recebido pela Motiva.
No fato relevante divulgado ao mercado, a companhia informou que a transação tinha valor patrimonial inicialmente estimado em R$ 5 bilhões. Após os ajustes previstos no contrato, a Motiva recebeu R$ 5,187 bilhões pela participação societária vendida.
Os aproximadamente R$ 7 bilhões restantes considerados no valor global do negócio correspondem principalmente à dívida líquida relacionada aos ativos transferidos.
Com a venda, a Motiva deixa o segmento aeroportuário e passa a concentrar sua estratégia em outras áreas de infraestrutura, principalmente rodovias e mobilidade sobre trilhos.
O que muda para quem utiliza o Aeroporto de Foz?
Para os passageiros, a mudança de controlador não representa interrupção das operações nem encerramento da concessão.
O aeroporto continua funcionando normalmente. A alteração ocorre na estrutura societária responsável pelo controle da plataforma que administra o terminal.
Motiva e ASUR iniciaram um período de transição que inclui a transferência de sistemas administrativos e mudanças graduais em sites e identidade visual. As equipes operacionais também foram incorporadas ao processo de transferência.
Na prática, serviços como embarques, desembarques e operações das companhias aéreas continuam normalmente enquanto ocorre a mudança administrativa.
A concessão permanece submetida às regras federais e à fiscalização da Agência Nacional de Aviação Civil. A própria ANAC possui processo específico relacionado à transferência de controle societário das concessionárias aeroportuárias ligadas à CPC.
Aeroporto passou por quase R$ 400 milhões em melhorias
A ASUR assume o controle indireto do terminal de Foz depois de um amplo ciclo de investimentos.
Em 2025, o Governo do Paraná informou que as obras e melhorias realizadas no aeroporto somavam aproximadamente R$ 396 milhões. Entre as intervenções estiveram a ampliação do terminal de passageiros, novos pátios para aeronaves, nova sala de embarque internacional e ampliação da área de check-in.
Com as obras, a capacidade operacional do terminal praticamente dobrou.
Outro avanço importante foi a extensão da pista, que passou a contar com 2.705 metros de comprimento, permitindo maior capacidade operacional e melhores condições para receber aeronaves de maior porte e voos de longa distância.
Movimento de passageiros segue em crescimento
A mudança de controlador acontece em um período de forte expansão do movimento aéreo em Foz do Iguaçu.
Somente no primeiro trimestre de 2026, aproximadamente 695 mil passageiros passaram pelo aeroporto, um crescimento de 20% na comparação com o mesmo período do ano anterior e novo recorde para os três primeiros meses do ano.
O desempenho reforça a importância do aeroporto para o turismo de Foz e para toda a região da Tríplice Fronteira.
Quem é a ASUR
A ASUR é uma companhia mexicana especializada na administração de aeroportos e já possui operações em diferentes países.
Antes da aquisição da plataforma da Motiva, o grupo já administrava aeroportos mexicanos como Cancún, Cozumel, Mérida, Oaxaca e Veracruz, além do Aeroporto Internacional de San Juan, em Porto Rico.
Com a conclusão da compra, o grupo amplia significativamente sua presença internacional e passa a ter participação direta no mercado aeroportuário brasileiro.
Para Foz do Iguaçu, a principal mudança neste momento é societária. Os próximos meses deverão mostrar quais serão as estratégias da nova controladora para o terminal, especialmente em relação à continuidade dos investimentos, expansão da malha aérea e atração de novas rotas nacionais e internacionais.