A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu nesta quarta-feira (16) a entrada e a circulação no Brasil da T36, medicamento à base de tirzepatida fabricado no Paraguai e divulgado para controle de peso.
A determinação é especialmente relevante para moradores de Foz do Iguaçu e da região de fronteira, já que o produto não poderá ser comprado no Paraguai e transportado para o território brasileiro, mesmo quando a intenção for o uso pelo próprio viajante.
A Resolução-RE nº 3.626/2026, publicada no Diário Oficial da União, determina a proibição de armazenamento, comercialização, distribuição, exportação, importação, propaganda, transporte e uso da T36 em todos os lotes. A medida alcança pessoas físicas, empresas e veículos de comunicação.
T36 não tem registro da Anvisa
Segundo a agência reguladora brasileira, o motivo da proibição é a ausência de registro sanitário do medicamento no Brasil.
Sem esse registro, a T36 não passou pela avaliação da Anvisa para comprovação de segurança e eficácia necessária à sua circulação no mercado brasileiro.
A própria resolução identifica o produto como T36 (tirzepatida) e informa que a empresa responsável não está identificada no processo brasileiro. Já o fabricante paraguaio Laboratorios Catedral apresenta a T36 em seu site como medicamento formulado com tirzepatida, nas apresentações de 15 mg.
A tirzepatida é uma substância utilizada em medicamentos destinados ao tratamento de condições metabólicas e controle de peso. O fato de diferentes produtos utilizarem o mesmo princípio ativo, porém, não significa que sejam automaticamente equivalentes entre si.
Em julho, a Anvisa já havia alertado especificamente que testes encontrados em canetas provenientes do Paraguai não eram suficientes para demonstrar equivalência com medicamentos registrados no Brasil. Segundo a agência, uma comparação dessa natureza exige avaliações específicas de concentração, características do produto, absorção pelo organismo e outros parâmetros.
Quem atravessa a fronteira precisa ficar atento
Na prática, a nova decisão impede que um morador de Foz atravesse para Ciudad del Este, compre uma T36 e retorne ao Brasil transportando o medicamento.
Isso ocorre porque a resolução não se limita à comercialização. A importação e o transporte também estão expressamente proibidos, e a Anvisa informa que as medidas se aplicam também às pessoas físicas.
A restrição vale para todos os lotes da T36.
Portanto, ter adquirido o produto legalmente em um estabelecimento do Paraguai não significa que ele esteja autorizado a ingressar no Brasil. As regras sanitárias brasileiras são independentes e medicamentos que entram no território nacional precisam atender às exigências da Anvisa.
Anvisa vem ampliando fiscalização sobre canetas sem registro
A T36 não é o primeiro produto desse segmento a ser alvo de medidas sanitárias no Brasil.
Em abril, a Anvisa determinou a apreensão e proibiu a importação, comercialização, distribuição e uso de Gluconex e Tirzedral, também divulgados como medicamentos injetáveis da classe dos GLP-1 e que não possuíam registro na agência brasileira.
Mais recentemente, em 8 de setembro, a agência proibiu a comercialização de medicamentos anunciados pelo site Go Pharma. Entre os produtos identificados estavam itens à base de tirzepatida e outros que alegavam possuir retatrutida em sua composição.
A Anvisa destacou que a retatrutida ainda não possui registro em nenhum país do mundo. Produtos como T.G. 15 mg, Tirzec 15 mg e Lipoless MD 15 mg já estavam sujeitos a proibição expressa de ingresso no Brasil.
Paraguai também aumentou controle sobre tirzepatida
A preocupação com produtos à base da substância também levou a autoridade sanitária paraguaia a adotar novas medidas.
Em março de 2026, a Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai (Dinavisa) tornou obrigatória a implantação de um sistema de identificação individual para medicamentos que contenham tirzepatida, com regras destinadas a permitir a rastreabilidade da matéria-prima e dos lotes.
Em maio, a Dinavisa também emitiu um alerta depois de identificar em Ciudad del Este a comercialização de determinadas marcas de tirzepatida que não possuíam registro sanitário paraguaio. A lista daquele alerta incluía outras marcas e não deve ser confundida com a decisão brasileira específica sobre a T36.
Compra pela internet também é alvo de alerta
A Anvisa reforçou que medicamentos não podem ser vendidos no Brasil por sites comuns, redes sociais ou outros canais informais.
A venda pela internet somente pode ocorrer pelos canais digitais oficiais de farmácias e drogarias regularizadas.
Segundo a agência, produtos comprados fora desses estabelecimentos não oferecem garantia adequada de procedência, composição ou conservação, fatores que podem comprometer qualidade, segurança e eficácia.
Com a publicação da Resolução nº 3.626/2026, a T36 passa a estar nominalmente submetida à proibição em todo o território brasileiro.
Para quem vive na fronteira, a orientação prática é clara: a T36 não pode ser trazida do Paraguai para o Brasil, nem mesmo para uso pessoal, enquanto permanecer vigente a determinação da Anvisa.
Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)