As obras que formam o sistema de acesso à Ponte da Integração, entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco, tiveram aumento expressivo nos valores contratados no lado paraguaio.
Um levantamento feito a partir da base oficial da Direção Nacional de Contratações Públicas do Paraguai (DNCP) mostra que cinco contratos ligados ao Corredor Metropolitano del Este passaram de aproximadamente ₲ 671,5 bilhões para ₲ 865,8 bilhões.
Pela conversão utilizada no levantamento, os valores passaram de aproximadamente R$ 581 milhões para R$ 749 milhões, uma diferença de cerca de R$ 168 milhões, ou quase 29%.
O valor, porém, exige uma explicação importante: os R$ 168 milhões não correspondem integralmente a novos serviços ou “sobrecustos”.
Dos ₲ 194,3 bilhões acrescentados aos cinco contratos, aproximadamente ₲ 122,5 bilhões, equivalentes a cerca de R$ 106 milhões, correspondem a ampliações dos valores contratados. Outros ₲ 71,8 bilhões, aproximadamente R$ 62 milhões, são classificados como reajustes de preços.
Lote 2 teve o maior crescimento
O maior aumento identificado na comparação com a contratação original ocorreu no Lote 2 do acesso rural, executado pelo Consorcio Mediterráneo.
O contrato foi adjudicado inicialmente por cerca de ₲ 162,9 bilhões, aproximadamente R$ 141 milhões.
Na base consultada da DNCP, o valor total registrado atualmente chega a aproximadamente ₲ 232,7 bilhões, equivalente a R$ 201 milhões.
A diferença é de aproximadamente R$ 60,3 milhões, crescimento de 42,8% em relação ao valor inicial.
Segundo os registros das modificações contratuais, houve ampliações do contrato e também reajustes de preços realizados em anos diferentes.
O trecho possui 11,7 quilômetros e está entre os componentes mais avançados de todo o corredor. Dados apresentados pelo Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai (MOPC) indicam aproximadamente 99% de execução, com previsão de conclusão em novembro de 2026.
Acesso urbano também teve aumento
A conexão com a rede interurbana existente, executada pela Constructora Acaray, saiu de aproximadamente ₲ 136,2 bilhões para ₲ 185,2 bilhões quando considerados os registros atuais da DNCP.
A diferença equivale a cerca de R$ 42,4 milhões.
Parte do aumento decorre de ampliações contratuais realizadas em 2022 e 2023, enquanto outra parcela corresponde a reajuste de preços registrado posteriormente.
Esse acesso urbano possui aproximadamente 24,1 quilômetros e já está 100% concluído, segundo os dados do MOPC.
Lote 1 subiu cerca de R$ 41 milhões
O Lote 1 do acesso rural, executado pelo Consorcio CT Vial, teve um crescimento menor proporcionalmente, mas elevado em valores absolutos.
O contrato saiu de aproximadamente ₲ 289,7 bilhões para ₲ 337,1 bilhões, diferença equivalente a aproximadamente R$ 41 milhões.
Esse trecho possui 19,1 quilômetros. Segundo o MOPC, cerca de 17 quilômetros já foram executados, com avanço geral de aproximadamente 85%.
A previsão oficial é de conclusão em fevereiro de 2027.
Zona Primária e Terminal de Cargas também ficaram mais caros
O contrato da Zona Primária, área destinada aos controles fronteiriços no lado paraguaio, passou de aproximadamente ₲ 43 bilhões para ₲ 58 bilhões na base da DNCP.
O crescimento equivale a cerca de R$ 12,9 milhões.
Já o Terminal de Cargas da Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP), em Presidente Franco, passou de aproximadamente ₲ 39,7 bilhões para ₲ 52,9 bilhões, diferença aproximada de R$ 11,4 milhões.
As obras civis da Zona Primária foram concluídas em março de 2025, enquanto o Terminal de Cargas ficou pronto em junho do mesmo ano.
Por que há outro valor oficial de aumento?
Um levantamento divulgado pelo jornal paraguaio ABC Color, baseado em informações fornecidas pelo próprio MOPC, apresenta números menores para alguns contratos.
Nesse balanço, seis contratos do projeto passaram de ₲ 804,24 bilhões para ₲ 926,72 bilhões, aumento de ₲ 122,48 bilhões, ou 15,23%.
A diferença em relação aos ₲ 194,3 bilhões identificados na base da DNCP ocorre porque os levantamentos utilizam campos e critérios diferentes.
O levantamento da DNCP compara o valor inicialmente adjudicado ao chamado “Monto Total de Contratación”, incorporando também reajustes registrados durante a execução.
Já o quadro do MOPC apresenta os valores iniciais e finais informados pelo ministério para os seis contratos, incluindo o da nova ponte sobre o Rio Monday.
Por isso, os números não devem ser apresentados como se um deles necessariamente anulasse o outro.
Ponte sobre o Rio Monday é atualmente uma das obras mais importantes
Uma das estruturas essenciais para completar o corredor é a nova ponte sobre o Rio Monday.
Segundo os dados mais recentes do MOPC, a obra está com aproximadamente 45% de execução física.
As fundações chegaram a 95%, enquanto as pilas atingiram cerca de 83%. O movimento de terra e os encontros da ponte já foram concluídos.
A estrutura terá aproximadamente 560 metros de extensão e permitirá completar a ligação do corredor rodoviário com a Ponte da Integração.
A previsão atual é de conclusão em abril de 2027.
Diferentemente dos outros componentes analisados pelo MOPC, o contrato da ponte sobre o Monday ainda aparece sem aumento de valor, mantendo aproximadamente ₲ 132,75 bilhões.
Funcionamento completo ainda depende das obras
A Ponte da Integração já está sendo utilizada de maneira gradual por diferentes categorias de veículos, mas sua operação plena ainda depende da conclusão do sistema viário no Paraguai.
Atualmente, os acessos rurais e a ponte sobre o Rio Monday são os principais componentes ainda em execução.
O MOPC afirma que é difícil estabelecer uma data exata para a conclusão de todo o projeto porque o cronograma pode ser afetado por condições climáticas e outros fatores.
Em um cenário considerado ideal pelo ministério, a conexão completa poderia estar concluída no segundo semestre de 2027.
O Corredor Metropolitano del Este é financiado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) e possui investimento global previsto de aproximadamente US$ 212 milhões.
Quando concluído, o sistema deverá permitir que o tráfego internacional de cargas utilize a Ponte da Integração sem depender das ruas centrais de Presidente Franco, além de integrar a nova travessia aos principais corredores rodoviários do Paraguai.
Fonte: Direção Nacional de Contratações Públicas do Paraguai (DNCP), Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai (MOPC) e informações complementares de veículos da fronteira e do Paraguai.