Foz do Iguaçu foi transformada durante quase duas semanas em cenário de uma ampla operação militar internacional. Entre os dias 10 e 21 de agosto, mais de 700 militares participaram do Exercício Conjunto-Combinado Felino 2026, treinamento coordenado pelo Ministério da Defesa voltado à preparação para missões internacionais de paz.
A atividade reuniu integrantes da Marinha, do Exército e da Força Aérea Brasileira, além de militares de Angola, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e Timor-Leste. Segundo o Ministério da Defesa, participaram cerca de 700 brasileiros e outros 38 militares estrangeiros.
Para tornar o treinamento semelhante aos desafios encontrados em operações reais, foi criado um país fictício chamado Carana, marcado por conflito armado, instabilidade e uma grave crise humanitária.
A partir desse cenário, as equipes precisaram tomar decisões e executar ações para proteger civis, prestar assistência à população e responder a diferentes ameaças.
Drones, explosivos e resgate de feridos fizeram parte da simulação
Ao longo do exercício, os militares enfrentaram situações simuladas envolvendo grupos armados, conflitos étnicos, bloqueios de vias, artefatos explosivos improvisados e ambientes contaminados por agentes químicos.
O treinamento também incorporou desafios atuais dos conflitos militares, como utilização e defesa contra drones, lançamento de suprimentos, patrulhamento em regiões instáveis e proteção de áreas ocupadas por civis e refugiados.
Outra frente envolveu atendimento de saúde em ambiente operacional e evacuação aeromédica de feridos, além de ações de ajuda humanitária.
Parte das atividades foi dedicada ao planejamento e comando das operações, enquanto outras situações foram executadas diretamente em campo.
Operação mobilizou veículos, embarcações e aeronaves
A dimensão da estrutura utilizada também chamou atenção. Conforme o Ministério da Defesa, o Felino 2026 contou com 119 viaturas militares, sendo 22 da Marinha, 86 do Exército e 11 da Força Aérea.
Também foram mobilizadas oito embarcações da Marinha e duas aeronaves da Força Aérea.
O Brasil atuou como país anfitrião e ficou responsável pela estrutura logística, meios operacionais e sistemas de comando e controle necessários para o desenvolvimento das atividades.
Objetivo é preparar tropas para missões de paz
O Exercício Felino é realizado desde 2000 e constitui uma das principais atividades militares conjuntas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP, voltadas à preparação para operações de paz.
Um dos principais objetivos é desenvolver a chamada interoperabilidade, capacidade de militares de diferentes países e Forças Armadas trabalharem conjuntamente utilizando procedimentos coordenados.
As atividades também abordaram assistência humanitária a refugiados, proteção de civis e medidas de prevenção à exploração e ao abuso sexual durante missões internacionais.
Timor-Leste receberá próximo treinamento
O encerramento do exercício foi marcado pela transferência da responsabilidade pelo próximo ciclo do treinamento.
O Brasil entregou a bandeira da CPLP a Timor-Leste, país que deverá receber a próxima edição do exercício em 2027. A cerimônia também integrou as comemorações pelos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Atualmente, militares brasileiros participam de nove operações internacionais de paz, incluindo missões no Chipre, Colômbia, Líbano, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Saara Ocidental, Somália, Sudão do Sul e região de Abiey.
Fonte: Ministério da Defesa