Foz do Iguaçu se prepara para iniciar, no fim de agosto, uma nova etapa do Método Wolbachia, estratégia utilizada no combate à dengue, zika e chikungunya. A ação prevê a liberação de mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia em 28 bairros do município.
De acordo com a Prefeitura, mais de 140 mil pessoas vivem nas áreas contempladas nesta segunda fase. A soltura será realizada ao longo de 26 semanas e, paralelamente, equipes do Centro de Controle de Zoonoses farão o monitoramento para acompanhar o estabelecimento dos mosquitos com Wolbachia na população local de Aedes aegypti.
Antes do início das liberações, o CCZ começou nesta segunda-feira, 10 de agosto, uma pesquisa com moradores para avaliar o nível de conhecimento, compreensão e aceitação da tecnologia. Desde maio, equipes também realizam visitas e atividades educativas para explicar como o método funciona.
Veja quais bairros serão atendidos
A nova etapa contempla Jardim Alvorada, Jardim Bourbon, Jardim Maracanã, Itaipu B, KLP, Porto Belo, Três Bandeiras, Vila Portes, Jardim Ipê, Itaipu A, Campus do Iguaçu, Jardim Lancaster, Jardim Carimã, Parque Monjolo, Porto Meira, Jardim Panorama, Jardim São Roque, parte do Morumbi, Cidade Nova, Centro Cívico, Náutica, São Roque, Centro, Três Fronteiras, Portal da Foz, Mata Verde, Jardim Cataratas e Lote Grande.
As áreas são diferentes das atendidas anteriormente. Segundo o município, depois que a Wolbachia consegue se estabelecer na população de mosquitos de uma determinada região, não é necessário repetir continuamente as liberações naquele mesmo território.
Por que são liberados mais mosquitos?
O método não tem como objetivo eliminar imediatamente o Aedes aegypti. Os chamados Wolbitos carregam a bactéria Wolbachia, que reduz a capacidade do mosquito de transmitir vírus como os da dengue, zika e chikungunya.
Depois de liberados, esses mosquitos se reproduzem com os Aedes aegypti já existentes. A bactéria é transmitida às novas gerações e, ao longo do tempo, aumenta a proporção de mosquitos com menor capacidade de transmitir essas doenças.
A Wolbachia ocorre naturalmente em diversos tipos de insetos, mas não está presente de forma natural no Aedes aegypti. O método é considerado seguro para pessoas, animais e para o meio ambiente e é utilizado como uma estratégia complementar às medidas tradicionais de prevenção.
Isso significa que a população deve continuar eliminando água parada e possíveis criadouros, mesmo nos bairros onde ocorrerão as liberações.
Segunda fase em Foz
Foz do Iguaçu começou a utilizar a estratégia em agosto de 2024. Ao longo de 2025, o Método Wolbachia alcançou aproximadamente 50% da área urbana da cidade. A nova fase busca ampliar essa cobertura para outras regiões.
A implantação envolve a Fiocruz e conta com apoio do Ministério da Saúde, Secretaria de Estado da Saúde do Paraná e Itaipu Binacional. Nesta quarta-feira, 12 de agosto, profissionais do CCZ também participarão de uma nova capacitação voltada ao início das liberações.
Dados municipais referentes ao ano epidemiológico de 2026 apontam 3.465 notificações de dengue em Foz, com 35 casos confirmados e 3.300 descartados até a atualização divulgada em 10 de agosto. Não havia registro de morte pela doença no município neste período.
Fonte: Prefeitura de Foz do Iguaçu, Centro de Controle de Zoonoses e Fiocruz.