Foz já identificou 22 morcegos com raiva em 2026; CCZ alerta população sobre contato com animais

Vírus continua circulando entre animais silvestres, mas município está há mais de duas décadas sem circulação da doença em cães e gatos; morcegos encontrados caídos ou ativos em situação incomum não devem ser tocados

Foz já identificou 22 morcegos com raiva em 2026; CCZ alerta população sobre contato com animais
Panorara

Foz do Iguaçu já registrou 22 morcegos com diagnóstico positivo para raiva em 2026, segundo informações do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). A circulação do vírus entre esses animais é acompanhada pela Vigilância em Saúde devido ao risco de transmissão para pessoas e animais domésticos.

O número, no entanto, não significa que todo morcego encontrado na cidade esteja infectado. Segundo o CCZ, Foz registra em média aproximadamente 30 morcegos positivos para raiva por ano, dentro do trabalho permanente de monitoramento realizado no município.

Dados divulgados pela Vigilância Epidemiológica apontam que, em 2025, foram confirmados 29 morcegos positivos. Em 2026, até a atualização de setembro, são 22.

Ver um morcego na cidade não significa que ele esteja doente

A presença desses animais em áreas urbanas é considerada normal, especialmente durante a noite.

Segundo o supervisor de Educação em Saúde do CCZ, Igor Batista, o principal sinal de atenção é encontrar um morcego em circunstâncias fora do comportamento habitual.

Morcegos voando à noite ou abrigados em locais escuros estão dentro de seu comportamento natural. A preocupação aumenta quando o animal é encontrado caído no chão, exposto ao sol durante o dia, com dificuldade para voar ou apresentando comportamento incomum.

Nessas condições, a orientação é não tocar no animal.

Crianças, cães e gatos também devem ser mantidos afastados.

Caso seja possível realizar o procedimento sem qualquer contato direto, o morador pode colocar um balde ou outro recipiente sobre o morcego para impedir que pessoas e animais se aproximem até a chegada da equipe do CCZ.

CCZ deve ser chamado para recolher o animal

O Centro de Controle de Zoonoses de Foz é responsável pelo recolhimento e encaminhamento de animais suspeitos para análise.

O telefone institucional disponível para contato é (45) 3524-8848. O CCZ está localizado na Avenida Maceió, no Jardim Ipê. Os dados do estabelecimento constam também no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Não é recomendado tentar pegar, matar ou transportar o morcego por conta própria.

O recolhimento adequado é importante porque a análise laboratorial desses animais ajuda as autoridades a identificar onde o vírus está circulando e a definir medidas de vigilância.

Teve contato com morcego? Não espere aparecer sintomas

Qualquer pessoa que tenha sofrido mordida, arranhão ou outro contato direto com morcego deve procurar atendimento de saúde imediatamente.

O Ministério da Saúde orienta lavar ferimentos provocados por animais com bastante água e sabão e procurar um serviço de saúde o mais rapidamente possível. A necessidade de vacina antirrábica e, em determinadas situações, de soro antirrábico será definida pelos profissionais de saúde de acordo com o tipo de exposição.

Não é necessário esperar por sintomas para buscar atendimento.

Essa precaução é fundamental porque a raiva é uma doença extremamente grave. Segundo o Ministério da Saúde, depois que as manifestações clínicas aparecem, sua letalidade é de aproximadamente 100%. A prevenção após uma exposição, por outro lado, é eficaz quando realizada corretamente e no momento adequado.

Morcegos são atualmente a principal fonte de casos humanos no país

O cenário brasileiro mudou nas últimas décadas.

Com a redução da transmissão da raiva por cães, os animais silvestres ganharam maior importância epidemiológica. Segundo dados atualizados pelo Ministério da Saúde em junho de 2026, o Brasil registrou 54 casos de raiva humana entre 2010 e 2026.

Desse total, 23 tiveram morcegos como animal transmissor, o maior número entre as espécies identificadas no período.

Isso reforça a orientação para que qualquer contato direto com morcegos seja avaliado por um serviço de saúde, mesmo quando não há um ferimento aparentemente grave.

Foz está há mais de 20 anos sem circulação em cães e gatos

Apesar da presença do vírus em morcegos, a situação dos animais domésticos é diferente.

O CCZ informa que Foz do Iguaçu está há mais de duas décadas sem circulação da raiva entre cães e gatos.

Dados históricos da Secretaria de Estado da Saúde apontam que o último caso de raiva canina registrado no Paraná pela variante canina ocorreu justamente em Foz do Iguaçu, em 2005.

A manutenção da vacinação dos animais domésticos é considerada essencial para impedir que o vírus que circula entre animais silvestres volte a alcançar cães e gatos.

Por isso, tutores devem manter a vacinação antirrábica de cães e gatos em dia. O Ministério da Saúde destaca que a imunização desses animais é uma das principais formas de prevenir a transmissão da doença no ambiente urbano.

E se o cachorro ou gato pegar um morcego?

Caso um cão ou gato seja encontrado brincando, mordendo ou tendo qualquer outro contato com um morcego, o tutor não deve manipular o animal silvestre com as mãos.

O CCZ deve ser comunicado para orientar as medidas necessárias.

Os protocolos nacionais levam em consideração se o animal doméstico possui vacinação antirrábica atualizada e se o morcego pode ser submetido a exame laboratorial. Dependendo da situação, podem ser necessárias doses adicionais da vacina e acompanhamento do animal.

O ponto principal para a população é simples: morcegos fazem parte da fauna de Foz e vê-los durante a noite não representa, por si só, uma situação anormal. O alerta é para animais caídos, debilitados ou em comportamento incomum. Nessas situações, não toque e acione o CCZ.

Fonte: Centro de Controle de Zoonoses de Foz do Iguaçu

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