A Prefeitura de Foz do Iguaçu voltou a encaminhar à Câmara Municipal uma proposta para criar um programa de incentivo financeiro destinado à ampliação da conectividade aérea da cidade. O projeto prevê a possibilidade de conceder até R$ 2,5 milhões por ano em subvenções econômicas para companhias que implantarem ou ampliarem operações no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu.
A medida ainda depende da análise e aprovação dos vereadores. Portanto, os recursos não estão atualmente sendo pagos às empresas aéreas.
Segundo a Secretaria Municipal de Turismo, a estratégia busca tornar Foz mais competitiva na disputa por novas rotas nacionais e internacionais e aumentar a quantidade de assentos disponíveis para quem pretende visitar a cidade.
A estimativa apresentada pela pasta é de que, caso as negociações resultem em novas operações, o programa possa contribuir para trazer entre 50 mil e 65 mil turistas adicionais por ano, com impacto econômico superior a R$ 300 milhões no município. Os números são projeções da própria Secretaria de Turismo e dependem da efetiva implantação e desempenho das futuras rotas.
Proposta havia sido retirada e voltou à Câmara
A discussão começou formalmente em junho, quando o Executivo apresentou os projetos de lei 57 e 58 de 2026. Um deles criava o Programa Municipal de Incentivo à Conectividade Aérea e o outro tratava da adequação orçamentária necessária para disponibilizar os R$ 2,5 milhões.
Os textos chegaram a tramitar em regime de urgência, mas foram retirados pela própria Prefeitura em 16 de junho para reanálise. Agora, em agosto, o Executivo retomou a proposta por meio das mensagens 036 e 037/2026.
O valor já estava previsto na Lei Orçamentária de 2026 dentro de uma ação denominada “Iniciativa para Captação de Voos e Conectividade Aérea”. A alteração pretendida cria uma classificação específica de subvenções econômicas, permitindo que os recursos sejam destinados a empresas privadas do setor aéreo.
Na estrutura apresentada anteriormente, a Prefeitura argumentou que se trata de uma reorganização de recursos já previstos no orçamento da Secretaria de Turismo e não de aumento da despesa total planejada para o ano.
Companhia teria que apresentar projeto antes de receber recurso
O modelo em discussão não prevê pagamento automático às empresas.
Para receber o incentivo, a companhia interessada teria de apresentar um projeto detalhando a nova operação, incluindo frequência dos voos, quantidade estimada de passageiros ou cargas, viabilidade financeira, capacidade oferecida e impacto esperado para Foz do Iguaçu.
Uma comissão da administração municipal faria a análise das propostas. Segundo a Secretaria de Turismo, o pagamento somente ocorreria depois que a operação aérea fosse efetivamente implantada, seguindo as condições estabelecidas no instrumento firmado com a empresa.
Critérios como importância da rota para a conectividade da cidade, potencial turístico, frequência e oferta de assentos também fariam parte da avaliação.
Lima, Bogotá, Santiago e Panamá estão entre mercados citados
A Secretaria de Turismo afirma que já existem seis oportunidades de novas ligações aéreas mapeadas e em discussão, mas não revelou quais companhias estão envolvidas nas negociações.
Entre os mercados apontados como estratégicos estão a ampliação das conexões com Minas Gerais e possíveis operações internacionais envolvendo Lima, no Peru; Bogotá, na Colômbia; Santiago, no Chile; e Panamá.
Também existem estudos relacionados a uma conexão que possa facilitar o acesso de turistas vindos da Europa. Os Estados Unidos permanecem entre os mercados considerados, embora a Secretaria reconheça maior complexidade para viabilizar uma ligação desse tipo.
Esses destinos, neste momento, devem ser tratados como objetivos e mercados em estudo, e não como voos confirmados.
Prefeitura teme aumento das passagens sem expansão da malha
A justificativa apresentada pela Secretaria de Turismo é que o crescimento da procura pelo destino precisa ser acompanhado pelo aumento da oferta de voos e assentos.
Segundo o secretário Jin Petricoski, caso o número de visitantes continue crescendo enquanto a capacidade aérea permanece praticamente igual, uma das consequências pode ser o aumento das tarifas e a limitação do crescimento turístico da cidade.
A Prefeitura pretende utilizar o incentivo como uma ferramenta adicional nas negociações com companhias aéreas, juntamente com a concessionária responsável pelo aeroporto e o Governo do Paraná.
A proposta ainda passará pelo Legislativo municipal. Somente após eventual aprovação e regulamentação será possível definir quais empresas, rotas e valores poderão efetivamente ser contemplados.
Fonte: Rádio Cultura Foz, com dados dos projetos encaminhados pela Prefeitura de Foz do Iguaçu à Câmara Municipal.