Operação contra tráfico de drogas e armas cumpre mandados em Foz e investiga esquema de R$ 28,8 milhões

Polícia Civil investiga grupo familiar suspeito de transportar grandes cargas de drogas e armamentos para o Rio de Janeiro; apuração também identificou aeronave e projeto de hangar em Foz do Iguaçu

Operação contra tráfico de drogas e armas cumpre mandados em Foz e investiga esquema de R$ 28,8 milhões
Visac

Foz do Iguaçu está entre as cidades alcançadas por uma operação da Polícia Civil do Paraná deflagrada nesta sexta-feira (18) contra uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico interestadual de drogas e no transporte ilegal de armas de fogo.

Ao todo, foram expedidas 14 ordens de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão. No Paraná, as medidas judiciais têm alvos em Foz do Iguaçu, São Miguel do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu e Maringá, além de endereços nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

A investigação apura suspeitas de tráfico interestadual de drogas, comércio e transporte de armas de fogo de uso restrito e proibido, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

A Justiça também determinou o bloqueio de 21 contas bancárias e aplicações financeiras, limitado a R$ 10 milhões, além de medidas destinadas a preservar 19 veículos associados aos investigados.

Investigação aponta estrutura formada por integrantes da mesma família

Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram em fevereiro de 2026, depois do compartilhamento judicialmente autorizado de provas obtidas a partir da prisão de um homem ocorrida em dezembro de 2025.

Esse investigado seria responsável, segundo a apuração, pelo transporte de grandes carregamentos de drogas e armas de Curitiba para áreas controladas por organizações criminosas no Rio de Janeiro.

Após a prisão, outro investigado teria assumido a logística das cargas no eixo Maringá, Curitiba e Rio de Janeiro.

De acordo com o delegado Victor Loureiro Mattar Assad, a estrutura investigada também teria participação da companheira desse suspeito e de quatro filhos, cada um desempenhando funções específicas dentro do esquema.

As participações individuais ainda são objeto da investigação e as acusações não representam condenação definitiva dos investigados.

459 quilos de cocaína e crack foram apreendidos durante investigação

Uma das principais apreensões relacionadas à apuração aconteceu em 18 de junho, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba.

Na ocasião, policiais civis apreenderam aproximadamente 459 quilos de cocaína e crack, além de:

  • um fuzil calibre 5,56 mm;
  • nove pistolas calibre 9 mm;
  • 15 peças desmontadas de fuzil calibre 7,62 mm.

Segundo a Polícia Civil, dois integrantes do núcleo familiar investigado realizavam o transbordo do material de um caminhão para um veículo utilitário quando foram abordados.

Onze dias depois, uma nova carga atribuída pelos investigadores ao mesmo grupo foi interceptada pela Polícia Militar em Ourinhos, no interior de São Paulo.

Nessa segunda ocorrência foram apreendidos 18 fuzis, carregadores e entorpecentes. Para a investigação, o episódio indicou que a estrutura logística teria conseguido se reorganizar mesmo após uma grande apreensão anterior.

Drogas e armas seriam escondidas em cargas regulares

A Polícia Civil aponta que uma transportadora teria sido utilizada como parte central da estrutura logística.

Segundo a investigação, o homem apontado como um dos responsáveis pelo grupo teria utilizado uma identidade falsa para abrir a empresa, contas bancárias, registrar veículos de alto valor e realizar negócios.

Um dos filhos também teria utilizado uma identidade paralela para constituir outras empresas.

Os investigadores afirmam que drogas e armas eram escondidas em meio a cargas regulares transportadas por caminhões, uma estratégia utilizada para tentar dissimular o transporte dos materiais ilícitos.

O esquema também teria veículos atuando como batedores, que trafegavam à frente dos caminhões e repassavam informações sobre postos da Polícia Rodoviária Federal e viaturas encontradas nas rodovias.

Movimentações chegaram a R$ 28,8 milhões

A investigação financeira identificou aproximadamente R$ 28,8 milhões em créditos considerados incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos investigados.

Segundo a PCPR, empresas de fachada, pessoas interpostas e negócios envolvendo veículos, títulos patrimoniais e aeronaves teriam sido utilizados para ocultar patrimônio.

A transportadora apontada como núcleo logístico teria recebido aproximadamente R$ 2,5 milhões somente em 2025.

Outra empresa ligada a integrantes da família teria movimentado cerca de R$ 4,2 milhões entre 2025 e 2026, enquanto o faturamento informado à contabilidade era de pouco mais de R$ 34 mil, conforme a investigação.

Um dos investigados teria recebido individualmente mais de R$ 1,1 milhão, enquanto os saques em dinheiro vivo ligados às movimentações analisadas ultrapassaram R$ 393 mil.

Empresa teria feito ligação financeira com grupo do Rio

A Polícia Civil também investiga uma empresa formalmente registrada no setor de serralheria e vidraçaria que teria servido como elo financeiro entre os investigados do Paraná e uma organização criminosa do Rio de Janeiro.

Segundo a apuração, essa empresa recebeu mais de R$ 17 milhões em créditos durante 2025.

O responsável formal pelo negócio declarava renda mensal de R$ 1,5 mil, mas, segundo os investigadores, teria movimentado aproximadamente R$ 3,65 milhões em créditos.

A Polícia Civil afirma ainda que a empresa chegou a pagar à vista por um veículo que posteriormente teria sido utilizado no transporte de drogas entre Maringá e Curitiba.

Investigação chegou a aeronave e hangar em Foz do Iguaçu

Foz do Iguaçu também aparece na investigação patrimonial.

Segundo a PCPR, foram identificadas a aquisição de uma aeronave e a contratação da construção de um hangar na cidade.

A apuração também identificou a aquisição de uma cota em um clube de voo localizado no interior de São Paulo, negociada por aproximadamente R$ 989,5 mil.

Até o momento, não foi detalhado publicamente qual seria o endereço do hangar em Foz, qual relação operacional ele teria com os crimes investigados ou se a aeronave chegou a ser utilizada no transporte de drogas ou armas.

Por isso, não é possível estabelecer essa relação como fato sem avanço da investigação.

Operação busca atingir logística e patrimônio

A ação desta sexta-feira pretende reunir novas provas, identificar patrimônio relacionado aos investigados e interromper a estrutura financeira e logística que, segundo a Polícia Civil, teria sido utilizada no transporte de drogas e armas entre o Paraná e o Rio de Janeiro.

Até a última atualização consultada pelo Foz é Assim, não havia sido divulgado um balanço oficial consolidado informando quantas das 14 ordens de prisão haviam sido efetivamente cumpridas nem o resultado específico dos mandados executados em Foz do Iguaçu.

A investigação continua.

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