Quatro pessoas foram presas nesta sexta-feira, 14 de agosto, durante uma operação da Polícia Civil contra um grupo investigado por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Foz do Iguaçu. A ação, denominada Operação Rescaldo, foi realizada pela Divisão Estadual de Narcóticos, a Denarc, na região da Vila C.
Segundo a investigação, uma distribuidora de bebidas era utilizada como fachada para a comercialização de entorpecentes. O grupo também teria estruturado um esquema de monitoramento para acompanhar a movimentação das forças de segurança e tentar destruir provas quando percebia a aproximação da polícia.
Ao todo, a Justiça autorizou 20 medidas judiciais, incluindo três mandados de busca e apreensão, três mandados de prisão, bloqueios de contas bancárias e ordens de sequestro de imóveis e veículos. A operação teve apoio de equipes da Polícia Militar e do Núcleo de Operações com Cães.
Dinheiro, drogas, joias e veículos foram apreendidos
Durante as buscas, os policiais apreenderam R$ 134.486,45 em dinheiro, 207 gramas de joias, seis veículos, nove aparelhos celulares, uma balança de precisão e 23 porções de haxixe, que totalizaram aproximadamente 24 gramas.
Dois homens e duas mulheres foram presos durante a operação e encaminhados ao sistema prisional de Foz do Iguaçu, onde permanecem à disposição da Justiça.
Churrasqueira seria usada para destruir drogas e celulares
Um dos detalhes que chamou a atenção dos investigadores foi a estratégia utilizada para tentar eliminar provas.
Segundo a Denarc, câmeras de segurança estavam conectadas aos celulares de integrantes apontados como líderes do grupo. Mensagens também eram utilizadas para alertar sobre a aproximação de viaturas.
Quando percebiam a presença policial, drogas como crack e cocaína seriam jogadas em uma churrasqueira mantida acesa dentro da distribuidora. A prática acabou dando origem ao nome da Operação Rescaldo.
Durante a ação desta sexta-feira, uma das investigadas teria corrido para os fundos de um imóvel e lançado três celulares e pacotes com substâncias em uma churrasqueira acesa. Os policiais conseguiram retirar o material ainda em chamas e encaminhá-lo para perícia.
A estratégia já havia sido identificada em uma etapa anterior da investigação, realizada em março, quando pequenas quantidades de crack parcialmente queimadas foram recuperadas entre as cinzas e posteriormente confirmadas por perícia.
Investigação aponta movimentação superior a R$ 9,2 milhões
A análise financeira realizada pela Polícia Civil indicou que um casal apontado como responsável pela liderança do grupo movimentou mais de R$ 9,2 milhões em contas bancárias entre 2021 e 2026. Segundo os investigadores, os valores seriam incompatíveis com as fontes de renda formal identificadas.
A suspeita é de que recursos provenientes do tráfico tenham sido utilizados para adquirir imóveis e veículos, inclusive por meio de terceiros e de escrituras com valores muito inferiores aos preços estimados dos bens.
Entre os exemplos apresentados pela investigação está um terreno comercial no Cidade Nova avaliado em aproximadamente R$ 220 mil, mas que teria sido registrado por R$ 58,80. Outro imóvel, um sobrado avaliado em cerca de R$ 400 mil, teria aparecido inicialmente em escritura pelo valor de R$ 1.188,95.
Também foram alcançados pelas decisões judiciais imóveis no Jardim Baifus e Cidade Nova, além de outras residências e veículos. Somados, os bens bloqueados chegam a quase R$ 2 milhões.
A investigação continua para identificar possíveis outros integrantes, aprofundar a análise da movimentação financeira e esclarecer a origem dos recursos encontrados nas contas atingidas pelas decisões judiciais.
Fonte: Polícia Civil do Paraná, por meio da Denarc,