A passarela que leva os visitantes até a região da Garganta do Diabo, no lado brasileiro das Cataratas do Iguaçu, foi fechada preventivamente nesta sexta-feira (11) devido ao forte aumento da vazão do Rio Iguaçu.
No momento da interdição, o volume estava em aproximadamente 8,4 milhões de litros de água por segundo, equivalente a cerca de 8.400 metros cúbicos por segundo, e apresentava tendência de alta.
A vazão média histórica das Cataratas é de aproximadamente 1,5 milhão de litros por segundo. Isso significa que o volume registrado nesta sexta-feira está cerca de 5,6 vezes acima do normal.
A medida foi adotada por segurança e, até o momento, não há previsão divulgada para a reabertura da estrutura.
Dados são acompanhados por estação telemétrica junto às Cataratas
A vazão do Rio Iguaçu na região das quedas é acompanhada por uma estação de monitoramento instalada próximo às Cataratas.
Documentação do Operador Nacional do Sistema Elétrico identifica a Estação Hotel Cataratas, no Rio Iguaçu, como uma estação fluviométrica telemedida, vinculada à rede hidrológica nacional. O código da estação na Agência Nacional de Águas é 65992500.
Os dados de vazão são utilizados para acompanhar o comportamento do rio e permitem observar não apenas o volume de água em determinado momento, mas também a tendência de subida ou descida.
Plataformas independentes de acompanhamento das Cataratas também passaram a traduzir essas leituras para o público em tempo quase real, utilizando os dados da estação operada pela Copel e distribuídos pela rede da Agência Nacional de Águas. As leituras são atualizadas ao longo do dia.
Protocolo prevê avaliação de fechamento a partir de 8 milhões de litros por segundo
A própria Urbia+Cataratas, concessionária responsável pela visitação turística do Parque Nacional do Iguaçu, já informou que seus protocolos de segurança preveem a avaliação da necessidade de interdição preventiva da passarela quando a vazão atinge aproximadamente 8 milhões de litros por segundo.
Isso não significa que a estrutura seja automaticamente fechada sempre que esse número é atingido.
No dia 2 de setembro, por exemplo, as Cataratas chegaram a um pico de 8,37 milhões de litros por segundo às 13h, mas naquele momento a passarela permaneceu aberta. A Urbia e o ICMBio continuaram monitorando o comportamento do rio em tempo real.
A diferença está nas condições observadas em cada momento, incluindo a tendência da vazão e a avaliação técnica das equipes responsáveis pela segurança.
Nesta sexta-feira, com aproximadamente 8,4 milhões de litros por segundo e o rio ainda em elevação, foi tomada a decisão de fechar a passarela.
Passarela é o trecho que avança em direção à Garganta do Diabo
A estrutura interditada fica no trecho final da tradicional Trilha das Cataratas.
O percurso brasileiro possui cerca de 1,5 quilômetro de extensão, com diversos mirantes ao longo do caminho. Ao final da trilha está a passarela que avança sobre o rio e proporciona a vista mais próxima da Garganta do Diabo.
A interdição da passarela, portanto, não deve ser confundida automaticamente com o fechamento de todo o Parque Nacional do Iguaçu.
Até o momento, a informação confirmada é especificamente sobre o fechamento preventivo da passarela. A situação das demais áreas de visitação deve ser acompanhada pelos canais oficiais do parque.
Chuva em outras regiões do Paraná influencia a vazão em Foz
O grande volume observado nas Cataratas não depende apenas da quantidade de chuva que cai em Foz do Iguaçu.
O Rio Iguaçu percorre centenas de quilômetros pelo Paraná antes de chegar à fronteira com a Argentina. Chuvas intensas nas regiões por onde passa o rio e em seus afluentes podem provocar elevação da vazão nas Cataratas posteriormente.
No início deste mês, quando o volume ultrapassou 8 milhões de litros por segundo, a administração do parque atribuiu a alta às chuvas registradas na bacia do Rio Iguaçu.
Nesta semana, diferentes regiões do Paraná voltaram a registrar temporais, chuva intensa, ventos fortes e granizo, mantendo elevados os níveis de atenção para os rios do estado.
Vazão pode mudar rapidamente
Como o monitoramento é contínuo, o volume informado pode sofrer alterações ao longo das próximas horas.
Por isso, os 8,4 milhões de litros por segundo representam a medição registrada no momento da interdição, e não um número fixo para todo o dia.
A tendência de alta é especialmente importante porque indica que uma quantidade ainda maior de água pode chegar à região das Cataratas nas horas seguintes.
A reabertura dependerá de nova avaliação das equipes técnicas e das condições de segurança da estrutura.
Situação nesta sexta-feira (11): passarela fechada preventivamente, vazão próxima de 8,4 milhões de litros por segundo, aproximadamente 5,6 vezes a média histórica, com tendência de alta.
Com os dados de: https://rafaelguimaraes.me/cataratas/#historico