O complexo está sendo desenvolvido no distrito de Yguazú e foi projetado para abrigar infraestrutura de processamento de alto desempenho, incluindo ambientes preparados para grandes quantidades de GPUs utilizadas no treinamento e na operação de sistemas de inteligência artificial.
Segundo informações apresentadas pelo presidente e cofundador da Araico, Alejandro Zuccolillo, o projeto foi dividido em três grandes etapas, com previsão de desenvolvimento ao longo de cerca de três anos e meio. A primeira fase representa um investimento estimado em US$ 300 milhões.
A previsão apresentada pela empresa é concluir ainda em dezembro de 2026 os primeiros seis módulos, inicialmente com aproximadamente 6 megawatts de capacidade elétrica, estrutura que corresponderia a cerca de 2 mil processadores dedicados a aplicações de inteligência artificial. As etapas seguintes são significativamente maiores e representam a maior parte do investimento projetado.
No planejamento divulgado, as duas fases posteriores teriam aproximadamente US$ 5,5 bilhões de investimento cada. A Araico informa em seu próprio material institucional que o campus foi concebido para atingir escala de até 1,3 gigawatt, aproveitando principalmente a disponibilidade de energia renovável do Paraguai.
A localização no Alto Paraná está diretamente ligada à infraestrutura energética da região. O Paraguai possui grande disponibilidade de geração hidrelétrica e vem ampliando seu sistema de transmissão. Entre os investimentos está a linha de 500 kV entre Yguazú e Valenzuela, obra da Administração Nacional de Eletricidade prevista para entrar em operação em janeiro de 2027.
A estratégia da Araico é utilizar essa disponibilidade energética para transformar eletricidade em capacidade computacional, oferecendo infraestrutura para empresas que necessitam de grande poder de processamento para inteligência artificial.
Na etapa mais avançada, a expectativa divulgada pelos responsáveis pelo empreendimento é de que aproximadamente 3 mil empregos diretos sejam gerados, além da movimentação de setores como construção, transporte, segurança, alimentação, telecomunicações e fornecimento de equipamentos elétricos.
O projeto conta com capital privado paraguaio e norte-americano. Apesar de publicações nas redes sociais associarem o investimento diretamente a empresas como Facebook, SpaceX, OpenAI, Anthropic e Nubank, as informações públicas consultadas não confirmam que essas empresas sejam investidoras ou clientes do Iguazú AI City. O que foi divulgado é a participação inicial de um fundo internacional de tecnologia, cujo nome não foi informado nas fontes consultadas.
Também é necessário cautela com a afirmação de que o complexo será, de forma comprovada, o “maior centro de dados da América Latina”. A própria Araico apresenta oficialmente o empreendimento como o primeiro campus de IA em escala de gigawatts do Cone Sul. Outros projetos de grande porte estão em desenvolvimento na região, incluindo o Rio AI City, no Brasil, projetado para alcançar até 3 GW de capacidade.
rem executadas conforme o planejamento, o Iguazú AI City representará um dos maiores investimentos tecnológicos já anunciados no Paraguai e colocará o Alto Paraná em uma posição inédita no mercado regional de infraestrutura para inteligência artificial.