Sem ambulâncias, bombeiros de Hernandarias ameaçam fechar quartéis por falta de repasses

Três corporações protestaram com sirenes em frente à Prefeitura; atrasos chegam a nove meses e voluntários afirmam que falta dinheiro até para reparar veículos de emergência

Sem ambulâncias, bombeiros de Hernandarias ameaçam fechar quartéis por falta de repasses
Visac

Os três corpos de bombeiros voluntários que atuam em Hernandarias, no Paraguai, realizaram uma manifestação em frente à Prefeitura para cobrar recursos municipais que, segundo as corporações, estão acumulando meses de atraso.

O protesto ocorreu nesta segunda-feira (21) e reuniu integrantes do K-3 Los Azules, K-121 do Cuerpo de Bomberos Voluntarios del Paraguay e do Corpo de Bombeiros San Francisco.

Os voluntários levaram veículos até a sede municipal e mantiveram as sirenes acionadas durante a mobilização.

A situação chegou a um ponto crítico: de acordo com os bombeiros, as três corporações estão sem ambulâncias em condições de operação e precisam recorrer a caminhonetes para transportar pessoas que necessitam de atendimento.

Os veículos estariam parados por problemas mecânicos que não conseguem reparar em razão da falta de recursos.

Atraso chega a nove meses

Aníbal Adorno, presidente do K-3, informou ao ABC Color que os atrasos não são iguais entre as corporações.

Segundo ele, o K-3 acumula nove meses sem receber os repasses, enquanto o San Francisco aguarda há oito meses e o K-121 tem cinco meses pendentes.

La Nación também relata que o K-121 aguarda recursos desde abril deste ano.

Os valores são provenientes de uma taxa municipal paga pelos contribuintes e destinada ao funcionamento dos bombeiros, segundo os representantes das corporações.

Valores da dívida ainda não estão consolidados

Há divergência entre as estimativas divulgadas sobre o tamanho da dívida.

Ao ABC Color, Adorno estimou que os valores pendentes poderiam estar entre 160 milhões e 180 milhões de guaranis para cada corpo de bombeiros, mas ressaltou que não há um valor oficial fechado porque os repasses variam conforme a arrecadação da taxa municipal.

Já o Última Hora informou que, especificamente no caso do K-3, a dívida estaria entre 130 milhões e 170 milhões de guaranis. La Nación cita aproximadamente 180 milhões de guaranis para a mesma corporação.

Por isso, não é possível afirmar neste momento um valor exato ou somar as estimativas como se fossem um montante oficial da dívida total.

Bombeiros dão prazo de três dias

Sem uma solução, os voluntários fizeram uma advertência mais grave: os três quartéis podem interromper os serviços caso não haja uma resposta da administração municipal dentro de três dias.

“Se continuar assim, em três dias, possivelmente vamos fechar”, declarou Adorno à imprensa paraguaia.

Segundo os bombeiros, a falta de recursos compromete manutenção de veículos, compra de insumos e a própria capacidade de responder às emergências na cidade.

Até a publicação consultada, o prefeito Nelson Cano não havia apresentado aos manifestantes uma previsão para liberação dos recursos.

Problema já havia ocorrido em anos anteriores

A dificuldade com os repasses municipais não é inédita em Hernandarias.

Em agosto de 2024, o ABC Color já havia noticiado que as três corporações acumulavam cinco meses de atraso nos recursos municipais. Na ocasião, representantes da Prefeitura informaram que o valor mensal destinado a cada companhia dependia da arrecadação e podia variar aproximadamente entre 7 milhões e 18 milhões de guaranis.

Naquele momento, a administração municipal havia prometido iniciar pagamentos gradativos.

A situação relatada agora, em setembro de 2026, é uma nova cobrança e deve ser analisada separadamente daquele episódio anterior.

Crise também atinge outras cidades do Alto Paraná

Os problemas financeiros não estão restritos a Hernandarias.

O Última Hora informou que companhias de Ciudad del Este e Minga Guazú também enfrentam atrasos em repasses municipais.

Em Minga Guazú, a companhia K-122 chegou a anunciar a suspensão de parte das operações nesta segunda-feira, mantendo uma ambulância para emergências. Já em Ciudad del Este, representantes dos bombeiros afirmam que há recursos municipais pendentes desde dezembro de 2025.

Os casos são independentes e envolvem administrações municipais diferentes.

Até a manhã desta terça-feira (22), não localizei nos canais públicos consultados da Prefeitura de Hernandarias um comunicado posterior à manifestação informando pagamento ou cronograma para regularização dos repasses.

Fonte: ABC Color

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