Um homem apontado pelas autoridades paraguaias como um dos principais suspeitos de financiar e organizar o milionário furto à Associação de Trabalhadores Cambistas de Ciudad del Este foi preso no departamento de Alto Paraná.
Mario Pucheta Martínez, de 57 anos, foi localizado na quinta-feira (17), no distrito de Juan E. O’Leary, durante a chamada Operação Antialias. Ele era procurado no Paraguai e também possui ordem de captura relacionada a investigações no Brasil.
A prisão ocorreu por volta das 10h30 em um imóvel no assentamento R.I. 14, na região de La Victoria Monday, a cerca de dois quilômetros da Ruta PY02.
O procedimento foi conduzido pelo Departamento de Convênios e Acordos de Cooperação Policial Internacional (Decacpi), ligado ao Comando Tripartito, sob acompanhamento do Ministério Público paraguaio.
Segundo o chefe da Decacpi, comissário Carlos Duré, a localização do suspeito foi possível após processamento de informações e intercâmbio de dados com a Polícia Federal do Brasil.
Investigação aponta participação no megafurto dos cambistas
Pucheta é investigado por possível participação no crime que chamou atenção de toda a região de fronteira em fevereiro de 2024, quando criminosos chegaram à bóveda da Associação de Trabalhadores Cambistas por meio de um túnel subterrâneo.
O túnel, segundo estimativa da Polícia Nacional, tinha cerca de 130 metros de extensão e partia de um estabelecimento comercial localizado na Rua Camilo Recalde, atravessando por baixo da região até alcançar a estrutura onde estavam os cofres dos cambistas.
O crime ocorreu durante o feriado prolongado entre os dias 3 e 5 de fevereiro de 2024.
A investigação atribui a Pucheta possível participação no financiamento e na logística da operação, inclusive no suporte ao grupo responsável pela escavação do túnel. Essa participação ainda é objeto do processo e não representa condenação.
Durante uma busca realizada ainda em fevereiro de 2024 em uma propriedade relacionada ao investigado, em Presidente Franco, policiais encontraram anotações que, segundo a investigação, continham instruções semelhantes às etapas executadas durante o crime. O material passou a integrar os elementos usados para vinculá-lo ao planejamento.
Quanto foi levado ainda tem versões diferentes
O valor efetivamente retirado da bóveda continua sendo um dos pontos com números divergentes desde o início da investigação.
O montante formalmente denunciado foi de aproximadamente 4,75 bilhões de guaranis.
Por outro lado, cambistas e fontes ligadas à investigação chegaram a estimar extraoficialmente que o prejuízo total poderia chegar perto de US$ 30 milhões. Esse valor maior nunca foi consolidado como montante oficial do processo e, por isso, não deve ser apresentado como definitivo.
Polícia diz que suspeito utilizava várias identidades
Outro aspecto que chamou atenção na prisão foi a quantidade de identidades atribuídas ao investigado.
Segundo o relatório policial, Pucheta teria utilizado nomes como Juan Pucheta Martínez e Jorge Fretes, além das identidades Mario Pucheta e João Pucheta Martins em registros relacionados ao Brasil.
No momento da captura, também teria sido encontrada uma cédula paraguaia em nome de Gabriel Martínez.
A polícia afirma ainda que o suspeito teria realizado procedimentos estéticos para modificar características do rosto e dificultar seu reconhecimento durante o período em que permaneceu foragido. A informação é atribuída aos investigadores paraguaios.
Ele também é procurado no Brasil
Além da investigação sobre o roubo em Ciudad del Este, Pucheta possui pendências judiciais relacionadas ao Brasil.
Segundo informações divulgadas após sua captura, há uma ordem brasileira relacionada a acusações de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
A imprensa paraguaia informa que o pedido brasileiro remonta a uma investigação iniciada em 2007, durante a Operação Fênix, que apurava uma estrutura criminosa relacionada ao narcotraficante Luiz Fernando da Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar.
Segundo os investigadores citados pelo ABC Color, Pucheta teria atuado no Paraguai dentro dessa estrutura. Essa é uma atribuição investigativa e não deve ser tratada como condenação definitiva.
O nome dele também já havia surgido em investigações relacionadas ao assalto à transportadora de valores Prosegur, em Ciudad del Este, em 2017, quando criminosos utilizaram armamento pesado e explosivos para atacar a empresa.
Irmão chegou a ser extraditado ao Brasil por engano
O caso possui ainda um episódio incomum envolvendo a identificação do procurado.
Em 2012, autoridades paraguaias prenderam Juan Pucheta Martínez, irmão mais velho de Mario, acreditando que ele fosse a pessoa procurada pela Justiça brasileira.
Juan chegou a ser extraditado para o Brasil.
Segundo informações publicadas posteriormente, depois da chegada ao país foi constatado o erro de identidade, e ele acabou sendo liberado.
Mario Pucheta continuou sendo procurado.
Justiça determina prisão preventiva
Após a captura, houve um novo desdobramento na sexta-feira (18).
O juiz penal de garantias Nelio Prieto retirou a condição de revelia que pesava sobre Pucheta e determinou sua prisão preventiva no processo que investiga o furto à bóveda dos cambistas.
Ele ficou à disposição da Direção-Geral de Estabelecimentos Penitenciários do Paraguai, responsável por definir o local de reclusão.
Paralelamente, o pedido brasileiro de extradição deverá seguir para análise da Justiça especializada em crime organizado no Paraguai. De acordo com informações divulgadas após a audiência, os processos existentes no Paraguai também precisarão ser considerados antes de uma eventual entrega às autoridades brasileiras.
Até a atualização mais recente consultada pelo Foz é Assim, a extradição ainda não havia sido efetivada.
Mario Pucheta Martínez permanece investigado e as acusações citadas nas diferentes ações judiciais não equivalem a condenação definitiva pelos fatos atribuídos a ele.
Fonte: Polícia Nacional do Paraguai