O levantamento foi realizado pelo DataSenado em 2025 e ouviu 21.641 mulheres com 16 anos ou mais em todo o Brasil. A pesquisa tem amostra probabilística e nível de confiança de 95%.
No Paraná, 24% das entrevistadas afirmaram já ter sofrido violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida. Considerando apenas os 12 meses anteriores à pesquisa, o índice foi de 13%.
Entre as paranaenses que declararam ter sofrido violência, 93% relataram episódios de violência psicológica, 90% violência moral e 76% violência física. Em 59% dos casos, o agressor era marido ou companheiro da vítima no momento da agressão.
O levantamento também revela impactos que vão além do momento da agressão. Quase metade das vítimas, 49%, afirmou que a violência afetou sua vida profissional ou o trabalho remunerado, enquanto 47% disseram ter enfrentado consequências nos estudos. Entre as mulheres que encerraram o relacionamento com o agressor, 77% afirmaram que a violência teve grande influência na decisão.
Outro ponto que chama atenção é o conhecimento ainda limitado sobre os mecanismos de proteção. No Paraná, 67% das mulheres disseram conhecer pouco a Lei Maria da Penha e 9% afirmaram não conhecer nada sobre a legislação. Em relação às medidas protetivas, 78% apresentam conhecimento superficial ou inexistente.
A pesquisa mostra ainda que 68% das paranaenses conhecem alguma amiga, familiar ou pessoa próxima que já sofreu violência doméstica ou familiar. Além disso, 73% perceberam aumento desse tipo de violência nos 12 meses anteriores ao levantamento.
Os dados reforçam uma dificuldade que ainda impede muitas vítimas de chegar aos serviços de proteção: reconhecer que determinadas situações vividas dentro de relacionamentos ou do ambiente familiar também configuram violência.